
PROMISSÃO
Deitou-se sobre o ombro...
Olhou o tempo e fez anoitecer o dia.
Fez compor com uma nota só, seu ato de donzela.
Fê-lo, escrito sob os últimos raios do sol...
Teus olhos sobrepostos de dor,
Fez cair lágrimas, sorriu e não chorou.
Enquanto o mundo parecia gritar ao teu redor,
Solenemente foi a vez que mais silenciou !
Viu-se, que o vulto aparentava ser,
Tão como nunca, um homem quase nu.
Tornou-se então, "escrava dos próprios instintos".
À noite, fechou-se para aquela alma ingênua!
Olhou o tempo e fez anoitecer o dia...
Foi dor... No teu último prazer corporal
Fez cair lágrimas, sorriu e não chorou.
Sucumbiu-se bruscamente ao chão desnudo...
Assistiu aos prazeres daquele que te jurou...
Viu o brilho no olhar sinistro do teu algoz.
Já estendida, desvalida e nua, ainda foi beijada,
Em despedida, nos teus lábios pálidos e frios!
Cumpriu no ímpeto, o que o destino jurou,
Deitou sobre o ombro pérfido, que julgava fiel!
Dos teus olhos, verteram lágrimas,
Sorriu... e não chorou!
(Guerra Sarapião)





