sexta-feira, 26 de dezembro de 2008


PROMISSÃO

Deitou-se sobre o ombro...
Olhou o tempo e fez anoitecer o dia.
Fez compor com uma nota só, seu ato de donzela.
Fê-lo, escrito sob os últimos raios do sol...

Teus olhos sobrepostos de dor,
Fez cair lágrimas, sorriu e não chorou.
Enquanto o mundo parecia gritar ao teu redor,
Solenemente foi a vez que mais silenciou !

Viu-se, que o vulto aparentava ser,
Tão como nunca, um homem quase nu.
Tornou-se então, "escrava dos próprios instintos".
À noite, fechou-se para aquela alma ingênua!

Olhou o tempo e fez anoitecer o dia...
Foi dor... No teu último prazer corporal
Fez cair lágrimas, sorriu e não chorou.
Sucumbiu-se bruscamente ao chão desnudo...

Assistiu aos prazeres daquele que te jurou...
Viu o brilho no olhar sinistro do teu algoz.
Já estendida, desvalida e nua, ainda foi beijada,
Em despedida, nos teus lábios pálidos e frios!

Cumpriu no ímpeto, o que o destino jurou,
Deitou sobre o ombro pérfido, que julgava fiel!
Dos teus olhos, verteram lágrimas,
Sorriu... e não chorou!

(Guerra Sarapião)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008




Minha estrada...

Nela, têm altos e baixos que posso ver,
De muito longe o sol surgindo manso...
Que todas as manhãs te desejam, ao alvorecer!

Pra zelar, tem barrancas e espinhos,
Das flores que perfumam com carinho
Já encontrei, ao longo da minha estrada.
Riachos e pontes, outros caminhos.

Na minha estrada... Têm encruzilhadas,
Que vão dar pra outros lugares tão distantes.
Outras idas das minhas, quase iguais.
Que não se pode como dito, desandar!

Nela vai-se rumo ao infinito
Pois nela, pode-se ir além-mar.
Porém, indo por minha estrada,
Você vai, mas não tem como regressar!

Assim como as outras que cruzam,
Têm rios longos e cais, barcos e mar.
Ah! Ela pode anoitecer sem te avisar,
Assim como amanhece em qualquer lugar

Tem lamentos e dores...
Na minha estrada, como outra qualquer,
Tem felicidades e grandes amores...
Uma menina linda, que já virou mulher!

Pena que nela não se pode volver.
Para todas as coisas boas recomeçar
Se me perco, a culpa não é dela,
Sou eu, quem não soube caminhar!

Na minha estrada, vai-se pra muito além,
Vai, como esvoaça o vento em tormentas!
Por longas, medianas e curtas por demais,
Quando se depara em pensamentos, vidas reais...

Pra muito longe se vai!
Assim como amanhece em qualquer lugar
Ela pode anoitecer sem avisar!

Autor: Guerra Sarapião

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008


BILHETE

Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

.....tem de ser bem devagarinho,
.....amada,

.....que a vida é breve,
.....e o amor
.....mais breve ainda.

Mario Quintana